ENTREVISTA THAIS VALENTE
O GEST tem o imenso prazer de lançar na rede este espaço
inteiramente dedicado ao universo da tatuagem, no qual passará a publicar o
resultado de suas atividades ao longo do ano de 2014.
Aqui você lerá dicas de tatuadores e tatuados sobre os mais
variados assuntos, tais como características de diversos estilos de tatuagem,
cuidados pré e pós tatuagem e, dentre outros temas de igual relevância,
entrevistas com tatuadores de várias partes do país.
E nada mais especial do que inaugurar o nosso blog com a entrevista
exclusiva que a tatuadora carioca Thais Valente gentilmente nos concedeu.
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| Thais Valente |
Aos
25 anos de idade, com a agenda de 2014 fechada desde meados do ano, Thais vem
rapidamente chamando a atenção de tatuadores e clientes por sua técnica apurada
e detalhista, dedicada quase que exclusivamente ao preto e cinza e ao
geometrismo.
Agora chega de papo e leiamos o que Thais pensa a respeito do
universo da tatuagem nos dias atuais, de como ela começou a tatuar, de como
desenvolveu o estilo que lhe é peculiar e mais, muito mais.
Bom dia, Thais. Antes de mais nada, gostaria de te agradecer
pela entrevista.
Jamais! =) Rs
Analisando o teu trabalho, a gente percebe claramente a
segurança com que tu trabalhas o pontilhismo, o preto e cinza e o
geometrismo. Como isso aconteceu na tua carreira?
Foi natural. Nunca desenhei esses estilos em nenhum momento da
minha vida, até que alguém me procurou para fazer um trabalho em pontos e me
apaixonei, senti paciência e confiança para fazer, o que me trouxe felicidade,
assim como nos outros estilos que vc mencionou. Desde então, essa paciência me
trouxe vontade de estudar a respeito, e naturalmente, aos poucos, me
especializar e focar nesses estilos. Tudo nesta profissão foi um acaso pra mim
=) Obras do destino!
Tu podes dizer como a tatuagem aconteceu na tua vida? Primeiro
como tatuada, depois como tatuadora - se é que se pode separar uma da outra?
Eu fiz minha primeira tatuagem assim que completei 18 anos, por respeito aos
meus pais. Me senti livre para simplesmente fazer e não dizer nada a ninguém,
foi assim em todas as minhas tatuagens, o que me causou alguns problemas em
casa (hehe), mas normal. Com 21 anos, esse tatuador, que já me tatuava desde
os meus 18 e que acabou virando um amigo, em uma visita que fiz ao levar alguém
para tatuar com ele, comentou que estava precisando de uma menina para arrumar
o estúdio e ajudá-lo nessas funções, daí me perguntou se eu conhecia alguém. Na
época eu estava estudando a possibilidade de treinar para ser dublê de ação,
e o lugar era ao lado do estúdio dele, então estava sempre próxima. Me ofereci
para ajudá-lo enquanto ele não achava ninguém, e em troca disse para que me
tatuasse de graça... Ele aceitou... E encontrei ali o que eu não estava procurando.
Larguei tudo e me dediquei 100%.
Olhando as tuas tattoos, é impossível não lembrar, por
exemplo, do trabalho de um Thomas Hooper. Ele é uma influência? Aliás, quais
são as tuas influências, na tatuagem e na arte em geral?
Ele com certeza é uma
de minhas maiores influências, entre Álvaro Flores, Samoan Mike, Shane e meu
grande amigo paulista Brian Gomes, entre muitos outros profissionais que admiro
muito e me inspiram. (Ps. Para maiores informações sobre os tatuadores aqui mencionados, acesse os links disponibilizados no fim da entrevista.)
Tuas tattoos são predominantemente preto e cinza. Já
trabalhaste com cor? Ou pretende trabalhar?
Já trabalhei, mas não me
apaixonei. Minhas tintas coloridas foram todas dadas de presente a alguns
amigos e outras foram parar no lixo (rs).
Num universo maciçamente masculino, tu sentes algum preconceito
por parte dos clientes? Ou ocorre o inverso?
Não, mas quando eu estava
no início e ninguém conhecia meus trabalhos e eu trabalhava em um estúdio
comercial, quando entrava um cliente e eu falava que eu era um dos artistas,
alguns me olhavam descrentes, mas não acho que por ser mulher, e sim por ser
mulher, ter cara de menina e ser muito jovem. Durante a tatuagem, existia um ar
de “pagar pra ver”, o que sempre me incomodou um pouco. Acho que por isso tenho
pavor de trabalhar comercialmente, com clientes aleatórios de porta. Gosto que
me procurem apenas aqueles que já conhecem meu trabalho de alguma forma. O
boca-a-boca sempre me atraiu muito mais.
Desde quando começaste a tatuar? Tu sentes alguma diferença
do começo para hoje, em termos de clientela, de demanda, de preconceito ou da
falta de preconceito?
Eu tenho 5 anos
apenas de carreira e, embora os tempos mudem rápido, eu não acho que tenha
mudado tanta coisa assim. Eu sei que existe preconceito, mas eu anulei tanto
ele na minha vida que eu não sei nem falar sobre isso e te dar estatísticas de
algo. Há alguns anos ando na rua olhando o além para não me deparar com
olhares estranhos, então realmente não sei mais te dizer (rs). Mas espero que o
mundo tenha evoluído.
Por fim, Thaís, tu queres deixar alguma mensagem para o
pessoal que deseja se tornar tatuador(a)? Alguma dica?
Se você não for 100%
algo, jamais será 100% em nada. Eu larguei tudo, me dediquei mesmo.... fiz
algumas besteiras, faz parte, mas sempre respeitei em primeiro lugar a pele das
pessoas e vejo muitos aprendizes ignorando esse respeito. Mas acho que eu não
daria conselho para quem quer tatuar, e sim para quem quer ensinar.... existem
alguns mestres que não dão bons exemplos às suas crias, e, assim como quando
culpam os pais pelas cagadas dos filhos, ocorre a mesma coisa. Que levem a sério
de verdade, apenas.
Obrigado, Thais. Boa sorte,
muito trabalho e (mais) êxito.
Que é isso! Obrigada vocês =)
Para conhecer mais o trabalho de Thais Valente, acesse:
Para maiores informações sobre os tatuadores mencionados na entrevista, acesse:
Thomas Hooper
Álvaro Flores
Samoan Mike
Shane
Brian Gomes